Xerazade - ciclo de leituras encenadas

Xerazade é a protagonista de As Mil e Uma Noites, um dos livros mais lidos ao longo dos tempos. Jovem, inteligente e culta, casa-se com o rei Xarir, conhecido por se casar com uma mulher diferente a cada dia, mandando matá-la no dia seguinte.

De forma a resistir a um destino fatal, Xerazade passa a contar-lhe uma história diferente a cada noite, interrompendo sempre o relato num momento de suspense. Contos, novelas, romances, poesia. São mil e um dias de espera e de resiliência.

Ao longo de mil e uma noites, o poder das suas palavras muda o coração do rei, que abandona a violência. Xerazade conta histórias para sobreviver. É salva pelas palavras.

Na Cassandra, desde sempre, os livros têm sido um pilar essencial. As Heróides - clube do livro feminista têm-nos permitido, a partir dos livros e da leitura coletiva, a aproximação de diferentes públicos; os nossos espetáculos, escritos originais a partir de longas pesquisas, têm por base uma enorme bibliografia que habita as nossas residências e salas de ensaio; e, a par de tudo isto, desde 2024, o nosso espaço é também uma livraria aberta para a rua, com mais de mil títulos, habitado todos os dias por dezenas de pessoas diferentes.

Assim, “Xerazade - ciclo de leituras encenadas” é o nome que damos a um ciclo de leituras encenadas em que desafiamos criadoras diferentes a fazer uma residência no nosso espaço e a descobrir, entre as centenas de livros que nos rodeiam, qual é a história que querem contar para adiar um pouco mais a sua morte. 

Criação Maria Jorge & Odete
A partir de “Os despojados”, de Ursula K. Le Guin & “Parable of the sower”, de Octavia E. Butler

26, 27 e 28 de março
2, 3 e 4 de abril
qui+sex 19h00 + sáb 17h00

bilhetes 3€

Muitas vezes projetada em futuros distantes ou mundos em colapso, mas inquietantemente reconhecíveis, a ficção científica surge não como fuga, mas como ferramenta de leitura do presente. Inspiradas pelo pensamento visionário de Octavia E. Butler na sua obra Parable of the Sower, ou na ficção especulativa de Ursula K. Le Guin em Os Despojados, esta leitura proposta por Maria Jorge e Odete habita a imaginação especulativa como um espaço crítico. Mais do que uma derivação alienada, a ficção científica é uma lupa para ler o mundo e projetar possibilidades outras. Entre alerta e profecia, utopia e sobrevivência, reconhecimento e distância, a leitura transforma-se num espaço de experimentação de futuros e em gestos que conduzem, talvez, a mudanças.